2025 foi um ano escrito em camadas.

O luto permaneceu sem ponto final, não como ruptura, mas como linha contínua no texto da vida. Ele se reescreve a cada dia: ora mais denso, ora quase silencioso, como uma nova forma de habitar o tempo. Às vezes, como frase interrompida; outras, como parágrafo que insiste em continuar.

E foi nesse ritmo que os sonhos voltaram a acender. Não chegaram como urgência, mas como semente — pequena, tímida, discreta.

Um deles ganhou corpo: a vontade de reler a própria escrita. Voltar ao blog, aos textos já publicados, não como quem repete o passado, mas como quem reconhece o que foi plantado. Constatar que há palavras que resistiram ao tempo, outras que pedem poda, e algumas reclamam um livro, por necessidade de permanência.

Aprendi que a colheita não acontece apenas no auge da alegria, mas, muitas vezes, no terreno revolvido pela perda. O que foi vivido virou matéria. O que doeu virou palavra. O que parecia disperso começou a pedir forma.

E quando o ano se inclina para o fim, vem o engasgo. O tempo do balanço pesa. Expõe ausências, cobra sentidos, revisita silêncios. Mas revela também a safra: as lutas enfrentadas, os dias atravessados, as esperanças que, mesmo frágeis, resistiram.

O novo que se anuncia não é um salto; é continuidade. Seguir com mais consciência, mais delicadeza, mais verdade. Um tempo em que a escrita deixa de ser apenas desabafo e passa a ter projeto de futuro.

Daí o desejo de um Ano Novo com mais escuta, menos pressa e mais liberdade para reescrever caminhos.

Que seja tempo de semeadura

e colheita possível

Feliz 2026!

             

 

 

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